Elogio à megalomania pop
culto do eu e delírio auto-irônico na "Balada do Louco", dos Mutantes

Resumo: O que este ensaio interroga, a um tempo de frente – portanto incontornavel e radicalmente – e através de múltiplos ângulos – de forma a evitar reducionismos e simplificações – é, em uma palavra, a questão do valor na indústria cultural, notadamente no universo da música pop. Valor, entenda-se, em sua dupla determinação: ética – que processos de subjetivação a cultura pop propõe, e quais as suas conseqüências sociais – e estética, isto é, que grau de complexidade, intensidade ou precisão atingem as obras, na elaboração de suas máquinas de forma e significação. É assim que o ensaísta Eduardo Guerreiro, partindo da canção “Balada do Louco”, do grupo tropicalista Mutantes, enceta uma espécie de dialética do ídolo e do fã, investiga ambos os lugares, esclarece as estratégias semiológicas de algumas canções pop, pratica uma análise crítica da canção que articula, imediatamente, uma ampla análise de suas implicações psicológicas e culturais, instaura, em suma, uma leitura que se estabelece na encruzilhada irredutível entre o estético e o social – não se furtando a julgar os resultados dessa relação na cultura pop, mas o fazendo, entretanto, com a necessária sutileza.

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